terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Anna Catarina Emmerich


Beata Anna Catarina Emmerich (em alemão: Anna Katharina Emmerich, Coesfelt, 8 de Setembro de 1774 - Dülmen, 9 de Fevereiro de 1824) foi uma freira agostiniana, mística, beatificada por São João Paulo II no dia 3 de Outubro de 2004.

Nasceu em Flamschen, numa comunidade agrícola em Coesfeld, na Diocese de Münster, Vestfália, Alemanha, e morreu aos 49 anos em Dülmen, onde era freira.
Emmerich é notável pelas suas visões detalhadas sobre a vida e a paixão de Jesus Cristo, cuja história lhe foi revelada pela Santíssima Virgem Maria sob êxtases.

Os seus pais foram os pobres camponeses Bernard Emmerich e Anne Hiller. No dia 13 de Novembro de 1802, aos 28 anos, Anna Catarina Emmerich entrou para o Convento de Agnentenberg, em Dülmen.

Durante a sua infância, havia relatos de que ela tinha visões constantes de Jesus, Maria e de Santos, aos quais entregava flores no dia de comemoração de cada um deles. Afirma-se, também, que tinha a capacidade de identificar lugares sagrados e pagãos, assim como identificar ervas medicinais que ninguém conhecia antes ou apontar quando algum objecto era sagrado ou ofendia a Deus.

Existem relatos de que as suas visões eram tão comuns, ainda criança, que ela achava que todas as crianças tinham as mesmas visões que ela tinha, mas que não contavam a ninguém e, então, ela decidiu também parar de contar, porque não queria que pensassem que se estava a vangloriar.

Durante toda a sua vida, Anna Catarina Emmerich ajudava os pobres e os doentes com tudo o que possuía, dividindo o pouco que conseguia na sua pobreza, e às vezes não lhe sobrava nem o seu próprio sustento, necessitando ela mesma da ajuda da família e de amigos. No entanto, não deixava de dividir tudo o que ganhava com quem precisava. E quando não encontrava pessoas necessitadas, pedia a Deus que as revelasse.

Emmerich também tinha visões de almas no Purgatório que lhe pediam para que ela rezasse por elas.
Aos 24 anos, em 1798, Ana teve uma visão na Igreja dos Jesuítas, em Coesfeld, na qual viu Jesus Cristo com duas coroas uma em cada mão. Numa mão tinha uma coroa de espinhos e na outra uma coroa de rosas e pediu-lhe que escolhesse uma delas. Anna Catarina Emmerich escolheu a coroa de espinhos e a partir daquele momento passou a receber os estigmas da coroa de espinhos e as restantes chagas de Jesus.

Para que as pessoas não vissem as suas chagas passou a usar lenços para esconder.

A Beata Ana Catarina Emmerich teve, também muitas visões sobre as futuras crises da Igreja Católica protagonizadas pela maçonaria. Nessas visões descreve homens de avental a destruir a Igreja com uma colher de pedreiro percebendo-se facilmente que se trata de maçónicos infiltrados na Igreja Católica.
Durante o Verão de 1823, a sua saúde foi ficando cada vez mais fraca e morreu no dia 9 de Fevereiro de 1824 em Dülmen sendo enterrada no cemitério nos arredores da cidade. 
O seu túmulo foi reaberto mais tarde, duas vezes, devido a boatos que diziam que o corpo de Emmerich havia sido roubado. Ao desenterrar encontraram sempre, para o espanto de todos, o seu corpo completamente intacto.
Em 1975, decidiram transladar a urna para a Igreja da Santa Cruz de Dülmen.

Durante os anos em que esteve acamada, recebeu a visita de várias pessoas conhecidas que foram inspiradas a visitá-la. O poeta Clemens Brentano entrevistou-a durante muito tempo e escreveu dois livros com base nas anotações das suas visões. A autenticidade dos escritos de Brentano foi questionada e os críticos caracterizavam os livros como "elaborações conscientes de um poeta" e "fraude bem-intencionada" de Brentano.

Emmerich foi beatificada no dia 3 de Outubro de 2004 pelo Papa João Paulo II. No entanto, o Vaticano concentrou-se na sua própria piedade e não nos escritos religiosos associados a Clemens Brentano.

Os livros, onde se podem ler os relatos da vida da Beata Anna Catarina Emmerich de 1819 até à sua morte, em 1824, foram publicados por Clemens Bretano e são 40 volumes, onde se podem ler com detalhe todas as visões e meditações da própria Anna Catarina Emmerich. Em 1833, Bretano publicou a primeira edição de "A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo de acordo com as Meditações de Anna Catarina Emmerich". Depois, Bretano preparou o segundo livro "A Vida da Santíssima Virgem Maria a partir das visões de Anna Catarina Emmerich" que foi publicado postumamente, em 1852, em Munique, pois Bretano faleceu em 1842. 

Um sacerdote católico, o padre Karl Schmoger, editou os restantes manuscritos de Bretano e publicou três volumes de "A Vida de Nosso Senhor" entre 1858 e 1880. Nos anos seguintes, publicou uma versão ilustrada do último livro e uma biografia de Ana Catarina Emmerich.

Os teólogos deram conta que, durante toda a sua vida, Anna Catarina Emmerich terá recebido mais visões do que qualquer outro santo. O livro "A Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo" consiste na descrição da visão da beata que de forma detalhada descreveu os acontecimentos que se encontram nos Evangelhos correspondentes à Paixão de Cristo e as meditações de Emmerich sobre os mesmos. 

O que tornam estas visões mais impressionantes é a riqueza de detalhes no que diz respeito aos sofrimentos, os ferimentos, as humilhações, as torturas, o açoitamento e a crucificação a que Jesus foi submetido, segundos os Evangelhos do Novo Testamento.

Foi, também, através das visões da Beata Anna Catarina Emmerich que encontraram a casa onde Nossa Senhora e São João Evangelista viveram em Éfeso, na Turquia, depois da morte e ressurreição de Jesus.

O filme 'A Paixão de Cristo', de Mel Gibson foi inspirado nas visões da beata Anna Catarina Emmerich somadas a uma investigação profunda aos Evangelhos nos idiomas originais, ao Santo Sudário e outros.
  

 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Uma viagem recheada de ternura!

(Foto de Cristina Lima)

Viajar pelo mundo dos livros já muitos fazem, mas viajar pelo mundo dos livros católicos infantis é uma aventura a que nem todos se atrevem.

A autora Carla Barbosa Rocha e a ilustradora Marta Tex embarcaram nesta aventura de contar às crianças os dias passados em Lisboa pela pastorinha de Fátima: Santa Jacinta Marto.

Uma história real, difícil de contar, mas descrita de forma tão meiga e com ilustrações tão queridas a acompanhar que até dá a ideia de ter sido tarefa fácil. Não foi! 

Desvendo já algo muito especial: sabiam que a Nossa Senhora sentava-se numa cadeirinha lá no hospital sempre que visitava a Jacinta? 

Descubram esta e outras coisas neste livro maravilhoso. 

Não percam a oportunidade de oferecer este livro aos vossos filhos, aos vossos netos e de o comprar para vocês mesmo! Descubram o principio da história de amor entre a Santa Jacinta Marto e Nosso Senhor! 

Sim, esta pequenina pastorinha de Fátima sofreu muito pela conversão dos pecadores e o amor dela por Nosso Senhor estava em cada um dos detalhes descritos neste livro.

Não percam a oportunidade de comprar este livro que já se encontra à venda em todas as lojas!


 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Sim, Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro!


(Arte de Raúl Berzosa)

Apesar da visão da Beata Anna Catharina Emmerich confirmar tudo de forma muito clara, há formas mais simples de perceber que é verdade que Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, a partir do que está na Sagrada Escritura.

Fica a aqui a explicação completa feita pelo Dr. Taylor Marshall:

"Hoje em dia, normalmente, assume-se que Nosso Senhor Jesus Cristo não nasceu a 25 de Dezembro. Vou argumentar que esta assumpção é factualmente incorrecta, e que Cristo nasceu no final de Dezembro. Primeiro, permita-me contra-argumentar umas três objecções comuns à datação do nascimento de Cristo a 25 de Dezembro.

Objecção 1: 25 de Dezembro foi escolhido para substituir a festa romana pagã da Saturnália. A Saturnália era um festival popular de Inverno e portanto a Igreja Católica prudentemente colocou o Natal nesta data.

Resposta à objecção 1: A Saturnália celebra o solstício de Inverno. No entanto, o solstício de Inverno acontece no dia 21 ou 22 de Dezembro! É verdade que as celebrações da Saturnália começavam tão cedo como 17 de Dezembro e se estendiam até 23 de Dezembro. No entanto, as datas não correspondem.

Objecção 2: 25 de Dezembro foi escolhido para substituir o feriado pagão romano Natalis Solis Invicti ("Nascimento do Sol Invencível")

Resposta à Objecção 2: Comecemos com o culto do Sol Invencível. O Imperador Aurélio introduziu o culto do Sol Invictus ("Sol Invencível) em Roma a 274 A.D.. Aurélio provocou tensões políticas com este culto, porque o seu próprio nome "Aurélio" deriva da palavra latina 'aurora' que quer dizer 'nascer do sol'. As moedas revelam que o Imperador Aurélio se chamava a si mesmo Pontifex Solis ou "Pontífice do Sol". Assim, Aurélio simplesmente ajustou um culto solar genérico e identificou-o com o seu nome até ao fim do terceiro século.

Mais importante ainda, não existe nenhum registo histórico de uma celebração Sol Invictus a 25 de Dezembro antes de 354 A.D. Mesmo em 354 A.D, a data é designada simplesmente por "Invictus" sem falar num aniversário. A data só se tornou explicitamente o "nascimento do Sol Invencível" sob o Imperador Juliano, o Apóstata, que tinha sido Cristão mas que tinha apostado e regressado ao paganismo romano. A história revela que foi um Imperador Cristão (que odiava Cristo) que erigiu uma festa pagã a 25 de Dezembro. Pensem nisto por um bocado.

Porque é que isto interessa? Significa que o 'Sol Invencível' não era uma divindade muito popular no Império Romano. Isto significa que as plebes romanas não precisavam de ser desligadas de um feriado dito "tão antigo". Mais ainda, a tradição de uma celebração a 25 de Dezembro só encontrou lugar no calendário romano depois da cristianização de Roma. O feriado do "nascimento do Sol Incrível" era dificilmente tradicional e divertida. Parece, antes, que Juliano, o Apóstata, tentou introduzir um feriado pagão com o objectivo de substituir o feriado Cristão!

Objecção 3: Cristo não podia ter nascido em Dezembro visto que São Lucas descreve pastores a pastorear nos campos perto de Belém. Os pastores não saem durante o Inverno. Logo Cristo não nasceu no Inverno.

Resposta à Objecção: Esta objecção é a pior de todas. Lembrem-se que a Palestina não é Inglaterra, a Rússia ou o Alasca. Belém tem a latitude de 31,7. Eu moro em Dallas, no Texas, tem uma latitude de 32,8 e ainda é confortável andar na rua em Dezembro. Como o grande Cornelius, a Lapide nota, durante o seu tempo de vida uma pessoa podia ver pastores e ovelhas nos campos de Itália durante os últimos dias de Dezembro...e a Itália é geograficamente a Norte de Belém.

Agora vamos estabelecer o Aniversário de Cristo a partir da Sagrada Escritura em dois passos: 

Passo 1: Determinar o Aniversário de São João Baptista
Podemos descobrir que Cristo nasceu no final do mês de Dezembro reparando em primeiro lugar na altura do ano em que São Lucas descreve São Zacarias no Templo. Isto dá-nos uma data aproximada da concepção de São João Baptista. A partir daqui podemos seguir a cronologia que São Lucas dá e calha precisamente no final do mês de Dezembro.

São Lucas diz que Zacarias serviu no "curso de Abias" (Lc 1,5) que na Escritura recorda como o oitavo curso entre os 24 cursos sacerdotais (ver Nh 12, 17). Cada curso servia uma semana no templo, duas vezes por ano. O curso de Abias servia durante a oitava e a trigésima segunda semana do ciclo anual.* No entanto, quando é que o ciclo começava?

Consultando a pesquisa académica de Friedlieb (Leben J. Christi des Erlösers, Münster, 1887, p. 312) descobrimos que o primeiro curso sacerdotal de Jojarib estava ao serviço durante a destruição de Jerusalém, no 9º dia do mês judeu de Av. Isto significa, sem dúvida nenhuma, que o curso sacerdotal de Abias (curso de São Zacarias) estava a servir durante a segunda semana do mês judeu de Tishri - a mesma semana do Dia da Expiação no 10º dia de Tishri. No nosso calendário, o Dia da Expiação no 10º Tishri calha entre o dia 22 de Setembro e o dia 8 de Outubro.

Zacarias e Isabel conceberam João Baptista logo após Zacarias ter servido o curso. Isto significa que São João Baptista teria sido concebido algures no final do mês de Setembro, colocando o nascimento de João no final de Junho, confirmando a celebração da Igreja Católica da Natividade de São João Baptista a 24 de Junho.

O ProtoEvangelho de Tiago do segundo século também confirma a concepção de São João Baptista no final de Setembro, visto que o texto mostra São Zacarias como sumo sacerdote e a entrar no Santo dos Santos - não era meramente um lugar santo com um altar de incenso. Este é, um erro factual porque Zacarias não era sumo sacerdote, mas um dos sacerdotes chefes.** Mesmo assim, o ProtoEvangelium mostra Zacarias como sumo sacerdote e isto associa-o ao Dia da Expiação, que acontece no décimo dia do mês hebreu de Tishri ( no final do nosso mês de Setembro). Imediatamente depois dessa entrada no Templo e da mensagem do Anjo Gabriel, Zacarias e Isabel concebem João Baptista, o que coloca o nascimento de João Baptista no fim de Junho - mais uma vez correspondendo à data católica da Natividade de São João Baptista a 24 de Junho.

Passo 2: Determinar o Aniversário de Cristo
O resto das datas é muito simples. Lemos que depois da Virgem Maria Imaculada ter concebido Cristo, foi visitar a sua prima Isabel que estava grávida de seis meses. Isto significa que São João Baptista era seis meses mais velho que Nosso Senhor Jesus Cristo (Lc 1, 24-27, 36).
Acrescentem seis meses a 24 de Junho e isso determina 24/25 de Dezembro como Aniversário de Cristo. Subtraiam nove meses a 25 de Dezembro e surge a data a anunciação do anjo a 25 de Março. Todas as datas estão perfeitamente de acordo.

Portanto, se São João Baptista foi concebido pouco depois do dia da Expiação judaico, então as datas católicas tradicionais estão essencialmente correctas. O nascimento de Cristo devia de ser perto de ou a 25 de Dezembro." 

Dr. Taylor Marshall
💙
Acrescento que apesar de São Lucas se referir a dois cursos anuais de Abias tanto o Protoevangelium como as visões da Beata Anna Catharina Emmerich confirmam que Zacarias fez o curso em Setembro, que São João Baptista nasceu no dia 24 de Junho e que Jesus nasceu no final do mês de Dezembro, a 25 de Dezembro. 

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

"Não podemos avançar. Mais adiante, na direcção da Bretanha, há uma Senhora invisivel a impedir-nos o caminho." :)

(Nossa Senhora de Pontmain - Foto de Louise Russell)



Em 1871, França via-se devastada por causa da Guerra Franco-Prussiana.
Três quartos do país estavam sob o calcanhar da ocupação da antiga Prússia.
Na noite estrelada de 17 de Janeiro, na pequena aldeia de Pontmain, na Bretanha, Cesar Barbadette e os seus dois filhos, Joseph e Eugéne, de 10 e 12 anos, estavam a terminar os seus afazeres no celeiro. Eugéne olhou pela janela e viu uma área sem estrelas sobre a casa do vizinho. De repente, ele viu a Nossa Senhora a sorrir para ele. Joseph também viu a Nossa Senhora; mais tarde, já como sacerdote, ele mesmo relatou o que tinha visto: 

"Ela era jovem e alta, vestida com um manto azul profundo...o Seu vestido era coberto de estrelas douradas brilhantes. As mangas eram largas e longas. A Nossa Senhora tinha sandálias nos pés do mesmo azul do vestido, ornamentadas com arcos de ouro. Na cabeça tinha um véu preto que lhe cobria metade da testa, e que lhe escondia o cabelo e as orelhas e lhe caía sobre os ombros. Na cabeça e sobre o véu, Nossa Senhora tinha uma coroa semelhante a um diadema, maior na frente e alargando-se para os lados. Uma linha vermelha circundava a coroa ao meio. As mãos da Nossa Senhora eram pequenas e estendiam-se na nossa direcção, como na medalha milagrosa. 
O Seu rosto tinha a mais suave delicadeza e um sorriso de uma doçura inefável. Os olhos, de ternura indizível, estavam fixos em nós. Como uma verdadeira mãe, Ela parecia mais feliz em olhar para nós do que nós em comtemplá-la." 

Embora os seus pais vissem apenas três estrelas num triângulo, as religiosas da escola paroquial e o pároco foram chamados. Duas meninas, Françoise Richer e Jeanne-Marie Lebosse, de 9 e 11 anos também tinham visto a Senhora.
Os aldeões eram cerca de sessenta entre adultos e crianças, começaram a rezar o rosário. Emquanto oravam, os videntes relatavam que a visão tinha sofrido uma mudança. Em primeiro lugar, as estrelas da sua veste tinham-se multiplicado até que o vestido azul ficasse quase completamente coberto de ouro. Em cada oração seguinte, apareciam letras para esclarecer as mensagens numa faixa defraldada por baixo dos Seus pés: 

"Por favor, orem, meus filhos.", "Deus em breve ouvirá as vossas orações." e "O Meu Filho espera por vocês."~

Quando a multidão começou a cantar o cântico "Mãe da Esperança", um dos hinos regionais mais populares, Nossa Senhora sorriu e acompanhou. Durante o cântico "Meu Doce Jesus", uma cruz vermelha com o corpo de Jesus apareceu no colo de Maria, cujo sorriso desapareceu e deu lugar ao pesar. Quando os moradores cantaram "Ave Maris Stella", o crucifixo desapareceu e o sorriso da Senhora voltou e um véu branco surgiu e substituiu o véu preto que trazia inicialmente. A aparição terminou eram 21h e durou mais de 3 horas.
Naquela noite, as tropas prussianas próximas de Laval tinham parado às 17h30 da tarde, à mesma hora em que a aparição surgiu pela primeira vez em Pontmain, a poucos quilómetros de distância. O general Von Schmidt, prestes a avançar em direcção a Pontmain, tinha recebido ordens do comandante para não tomar a cidade.
Há registo de que Schmidt disse na manhã do dia 18: "Não podemos avançar. Mais adiante, na direcção da Bretanha, há uma Senhora invisivel a impedir-nos o caminho."
A pequena vila de Pontmain é uma prova de que as orações fervorosas, ainda que elevadas pela menor das paróquias, são capazes de mudar a história.
Um ano mais tarde, na Festa da Purificação, no dia 2 de Fevereiro, a aparição de Pontmain foi aprovada como autêntica e confirmada pelo Papa Pio XI com uma Missa.
Em 1932, o Papa Pio XII concedeu que a Mãe da Esperança, título dado à aparição, fosse solenemente homenageada com uma coroa de ouro. Hoje, os peregrinos visitam a Basílica de Pontmain como sinal de esperança no meio da guerra.


segunda-feira, 6 de julho de 2020

Carta do assassino de Santa Maria Goretti aos 80 anos, após a sua conversão

(Fotos: Aleteia)

"Tenho quase 80 anos de idade, aproxima-se o fim da minha jornada. Olhando para o meu passado, reconheço que na minha juventude trilhei um falso caminho: o caminho do mal, que me levou à ruína.

Vejo através da imprensa que a maioria dos jovens, sem se incomodarem, seguem o mesmo caminho, eu também não me incomodava. Tinha perto de mim pessoas de fé e que praticavam o bem, mas eu não me importava com isso, cego por uma força bruta que me impulsionava para o mau caminho.

Durante décadas, fui consumido por um crime passional que hoje horroriza-me a memória. Maria Goretti, hoje santa, foi o anjo bom que a Providência colocou diante dos meus passos para me salvar. Eu ainda trago no coração as suas palavras de repreensão e perdão. Ela rezou por mim, intercedeu pelo seu assassino.

Foram quase 30 anos de prisão. Se eu não fosse menor de idade, teria sido condenado à prisão perpétua. Aceitei o julgamento merecido, admiti a minha culpa. Maria foi realmente a minha luz, a minha protectora. Com a sua ajuda, portei-me bem durante os 27 anos de prisão e procurei viver honestamente quando a sociedade me aceitou de volta entre os seus membros.

Os filhos de São Francisco, os Frades Menores Capuchinhos das Marcas, com caridade seráfica acolheram-me, não como escravo, mas como irmão. Moro com eles há 24 anos e agora vejo o tempo passar com serenidade, aguardando o momento de ser admitido à visão de Deus, de poder abraçar os meus entes queridos, de estar com o meu anjo da guarda (Maria Goretti) e da sua querida mãe, Assunta.

Aqueles que lerem esta carta, que a tenham como exemplo para escapar ao mal e seguir o bem, sempre.
Acho que a religião, com os seus preceitos, não é algo que se pode desprezar, mas é o verdadeiro conforto, a única via segura em todas as circunstâncias, mesmo nas mais dolorosas da vida.

Paz e bem.

Macerata, 5 de Maio de 1961

Alexandre Serenelli"


sexta-feira, 26 de junho de 2020

A maravilhosa aparição de Nossa Senhora em Knock

(Altar da Capelinha das Aparições do Santuário de Knock - Altar com a imagem que os 15 videntes descreveram. Foto de @knockshrine)

A aldeia de Knock fica situada a oeste de Dublin e a norte de Galway, no Condado de Mayo, na Republica da Irlanda. Em 1829, nessa pequena aldeia construíram uma pequena e pobre igreja paroquial dedicada a São João Baptista, onde não cabiam mais de trinta pessoas.
Dos dois lados da igreja haviam duas escolas, uma para meninos e outra para meninas.
O terreno da igreja era rodeado por um muro de pedra baixo.
Durante o século XIX, a Irlanda sofreu uma depressão económica por causa das más colheitas, sobretudo de batata. Como quase toda a população do Condado de Mayo vivia da agricultura, e em 1879 as colheitas continuavam muito más, as pessoas começaram a morrer de fome e de doenças derivadas da pobreza extrema em que viviam.
Bartholomew Cavanah foi nomeado prior da igreja em 1867.
Era um santo homem, muito devoto de Nossa Senhora da Imaculada Conceição.
E sacrificava os seus bens materiais auxiliando os pobres e famintos daquela região.
Também auxiliava através da oração e com muita devoção as pobres almas do Purgatório.
Alguns meses antes da aparição de Knock, o padre Cavanah começou a rezar 100 missas pelas almas do Purgatório que a Nossa Senhora mais desejasse que fossem libertas.
No dia em que celebrou a centésima missa, a Nossa Senhora apareceu em Knock.
Era o final de tarde do dia 21 de Agosto de 1879.
Surgiu como acto de gratidão maravilhoso da Nossa Senhora e das almas que foram libertadas do Purgatório e foram para o Céu.
No dia da aparição, o tempo estava chuvoso, mas o padre Cavanah foi, apesar da chuva, visitar os seus paroquianos, ficando todo encharcado. Ao chegar a casa, a sua empregada, Mary McLoughlin, acendeu a lareira para lhe secar as roupas e depois foi visitar uma amiga que vivia ali perto.
Ao passar pela igreja, Mary McLoughlin viu figuras estranhas e um altar nas traseiras da igreja. 
As figuras eram iluminadas por uma luz muito forte mas associou o que estava a ver a um efeito de luz de final da tarde. Ficou a pensar que o padre Cavanah tinha comprado imagens novas.
Mais ou menos ao mesmo tempo, outro membro da família Beirne, Margaret Beirne, dirigiu-se à igreja para a fechar quando viu que algo brilhava nas traseiras da igreja.
Mas como estava a chover e ela queria-se abrigar não olhou mais vez nenhuma para o local nem disse nada a ninguém.
Terminada a visita à amiga, Mary McLoughlinde regressou à igreja na companhia da amiga que tinha ido visitar, Mary Beirne, repararam que as figuras continuavam nas traseiras da igreja cada vez mais iluminadas.
Aí, Mary Beirne exclamou em alta voz: 

"Não são imagens, estão a mexer-se. É a Santíssima Virgem!"

Três imagens estavam de pé, por cima da erva crescida e por cortar. As duas mulheres perceberam que não podiam ser imagens, porque aquelas pessoas que elas viam caminhavam por cima do monte de erva sem o pisar.
As pessoas que elas viam estavam todas vestidas de branco e brilhavam como prata fina.
Estavam envolvidas numa luz brilhante dourada, assim como o altar que estava colocado atrás delas.
Sobre o altar estava o cordeiro e por cima do cordeiro podia-se ver uma grande cruz branca.
E eram visíveis, também, junto ao altar 6 anjos com asas que voavam para cima e para baixo rodeando o altar e a cruz.
Mary Beirne apressou-se a ir ter com os vizinhos para os chamar a ver o que ela estava a ver: uma visão maravilhosa!
Rapidamente, várias pessoas acorreram ao local viram e rezaram junto aquela aparição do Céu.
Todos os que testemunharam a aparição afirmaram que se tratava da Virgem Maria com São José à sua direita e São João Evangelista à esquerda.
Maria tinha um manto branco e uma coroa dourada na cabeça. No meio da coroa, acima da testa, brilhava uma rosa de ouro completamente aberta. Tinha as mãos erguidas como se rezasse.
São José tinha a barba grisalha e a cabeça inclinada para a frente.
São João Evangelista segurava o livro dos Evangelhos. Estava vestido com o traje de bispo e parecia estar a pregar. No entanto, nenhum deles disse uma única palavra durante as duas horas que durou a aparição.
A mais velha das videntes era Brigdet Trench, de 75 anos. Caminhou em direcção à visão e, sob a chuva, tentou beijar os pés de Maria, mas não conseguiu: parecia que Maria se afastou quando ela se aproximou. Quando as mãos e a cabeça inclinada de Brigdet entraram na área da aparição, ela caiu de joelhos na erva seca. No espaço, onde se encontrava a acontecer a aparição, não chovia.
Mais tarde, Brigdet Trench disse: 

"Não percebo porque é que não consegui tocar-lhes com as minhas mãos, da mesma forma como os via com os meus olhos."

Os quinze videntes permaneceram fixados na visita luminosa durante duas horas, rezando o Terço em conjunto. Ao fim de duas horas a aparição desapareceu.
Durante os meses seguintes à aparição, toda a aldeia se questionava o porquê da Nossa Senhora ter aparecido ali e porque é que eles A tinham visto.
A notícia espalhou-se rapidamente e milhares de pessoas começaram a se dirigir a Knock.
Deram-se muitas curas e muitas delas relacionadas com a aplicação de terra retirada do local onde a aparição aconteceu. Nos primeiros 3 anos, o padre Cavanah registou cerca de 300 curas milagrosas associadas à aparição de Knock. 

Em 1880, a primeira comissão eclesiástica aprovou o testemunho de cada uma das quinze videntes como 'digno de confiança e satisfatório'. Em 1936, provas confirmadas e centenas de curas milagrosas foram enviadas para Roma. A aparição de Knock teve a sua aprovação total e o reconhecimento da Igreja Católica.
Cem anos depois da aparição, em 1979, São João Paulo II abençoou o local com a sua presença no centenário da aparição.
Meio milhão de peregrinos juntaram-se no Santuário de Nossa Senhora de Knock onde o Papa declarou a Igreja de Nossa Senhora de Knock, Rainha da Irlanda, Basílica.

Esta aparição de Nossa Senhora em Knock, na Irlanda aconteceu como sinal de esperança, no momento em que o desespero tomava conta da população daquela aldeia.
Como em Knock, a Nossa Senhora fez com que as pessoas percebessem que nos momentos de dor e desespero devemos olhar para o Céu porque Deus não nos abandonou, nem nos abandona mas é através da oração que tocamos o coração de Deus. 

(Nossa Senhora de Knock - Santuário de Nossa Senhora de Knock, Condado de Mayo, Irlanda - Foto de @knockshrine)




domingo, 24 de maio de 2020

Oração a Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos :)

(Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos - Foto de Salesianos) 

Oração a Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos

Ó Santíssima e Imaculada Virgem Maria, terníssima Mãe nossa e poderoso Auxílio dos Cristãos, nós nos consagramos inteiramente ao vosso doce amor e ao vosso santo serviço. Consagramos-vos a mente com seus pensamentos, o coração com seus afetos, o corpo com seus sentidos e com todas as suas forças, e prometemos querer sempre trabalhar para a maior glória de Deus e a salvação das almas. Vós, entretanto, ó Virgem incomparável, que fostes sempre a Auxiliadora do povo cristão, continuai, por piedade, a mostrar-vos tal, especialmente nestes dias. Humilhai os inimigos de nossa Santa Religião e frustrai seus perversos intentos. Iluminai e fortificai os Bispos e os Sacerdotes, e conservai-os sempre unidos e obedientes ao Papa, mestre infalível; preservai da religião e do vício a incauta mocidade; promovei as santas vocações e aumentai o número dos ministros sagrados, a fim de que, por meio deles, se conserve o reino de Jesus Cristo entre nós e se estenda até os últimos confins da terra. Suplicamo-vos também, ó dulcíssima Mãe nossa, lanceis continuamente vossos olhares piedosos sobre a incauta mocidade rodeada de tantos perigos, sobre os pobres pecadores e moribundos; sede para todos, ó Maria, doce esperança, Mãe de misericórdia e Porta do Céu. Mas também por nós vos suplicamos, ó grande Mãe de Deus. Ensinai-nos a copiar em nós vossas virtudes, e de um modo especial vossa angélica modéstia, a fim de que, por quanto for possível, com nossa presença, com nossas palavras e com nosso exemplo, representemos ao vivo no meio do mundo a Jesus, vosso bendito Filho, vos façamos conhecer e amar, e possamos por este meio salvar muitas almas. Fazei mais, ó Maria Auxiliadora, que estejamos todos unidos debaixo do vosso maternal manto. Fazei que nas tentações vos invoquemos logo com toda a confiança. Fazei, enfim, que o pensamento de que sois tão boa, tão amável e tão querida, a lembrança do amor que tendes aos vossos devotos, nos conforte de tal modo que, na vida e na morte, saiamos vitoriosos contra os inimigos de nossa alma, e possamos depois unir-nos convosco no Paraíso. Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós. Ámen.